Eus distorcidos e "andar com espelhos nos bolsos"

Atualizado: 9 de set. de 2022
Lembrei-me da temporaneidade do que é ter 18 anos, desde há mais ou menos 3 anos que sinto que toda a gente é tão temporária e mesmo quando não vão embora é difícil mantê-las por perto, por uma questão de crescimento, crescemos tão rápido com esta idade, de 15 para 16 subitamente não somos mais crianças e de 17 para 18 subitamente sou considerada uma mulher, um namoro mau muda alguém que nos era próximo e o nosso desejo por um futuro melhor afasta-nos das pessoas que deveríamos amar mais, sem sequer darmos conta.
Não me sinto muito diferente do que me sentia o ano passado se bem que percebo que algumas coisas mudaram.
Sinto que me imponho a necessidade de saber quem sou porque tenho medo de agir de forma contrária à pessoa que quero ser.
Como li num livro do grande John Kim, "Anda com espelhos nos bolsos"
Não gosto de ser submissa mas tenho medo de me impor, tenho pouca paciência mas contenho-me porque reconheço essa falta em mim e tenho medo de ser vista como arrogante mas é desconfortável dar-me a conhecer, tentar ser a pessoa que quero ser assusta-me, porque vai contra medos que fazem parte de mim, mas a minha questão é...
Será que me definem mais os meus medos ou o facto de eu constantemente os tentar ultrapassar? E ultrapassá-los faz de mim menos genuína? Deveria ser fiel à minha forma mais natural?
Eu não acho que seja menos genuína por tentar ser, o que na minha opinião, é uma melhor versão de mim.
No final do dia, a versão de mim que existe na mente de cada um que me viu é diferente, posso ser introvertida e secante por não falar muito ou ser arrogante e achar-me superior pelo mesmo motivo, também posso ser tímida, intrigante ou fofinha e isso depende do sistema de crenças e a forma de ver o mundo de cada um, eu sei como eu dou o meu melhor para ser no dia a dia.
Posso ser tanta coisa na cabeça de tanta gente incluindo a minha, tantas vezes eu me considerei má pessoa e realmente acredito até hoje que o fui e tantas outras eu achei que fui apenas ingénua, será que alguém consegue ser apenas ou bom ou mau?
Ninguém tem de desculpar momentos em que foram magoados se assim não quiserem, e é mais que compreensível, por vezes uma 2° oportunidade não tem de ser uma oportunidade de voltar para a nossa vida mas será mais uma dádiva de compreensão a outra pessoa para ela poder seguir a vida dela e nós a nossa, mas ver um mundo em tons de cinza, é na minha opinião uma forma muito mais compreensiva de o fazer e traz uma certa paz.
Será que só nós próprios merecemos segundas oportunidades?


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