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"Prilimpimpins da Psique" :), performance, confiança e vulnerabilidade emocional

Foto do escritor: Sara Carneiro
Sara Carneiro
6 de set. de 2022
3 min de leitura

Atualizado: 9 de set. de 2022

Ser jovem, tocar há menos tempo que o desejado, falta de confiança misturada com ego, tudo contribui para medos, ansiedades, bloqueios mentais e em casos mais extremos a mentalidade "Que se lixe, desisto" pelo menos na minha experiência.

Ter confiança ou não, é no momento de performance, algo que distrai um pouco.
Se eu me sentir insegura vou-me retrair e se estiver confiante demais posso não antever certos problemas que possam surgir.
Se eu tiver de tocar uma passagem em que a música implique firmeza é normal que eu precise de confiança ao tocá-la porque são sentimentos que andam de mão dada, mas se eu tocar uma passagem desesperante em que se ouve tristeza ou agonia, se eu tocar algo amoroso e doce, focar em ser confiante é distrativo, eu quero sentir dor ou a transbordar de amor, não provar que consigo tocar.
Eu quero fazê-los sentir e não ficarem embasbacados comigo.
(A minha perspectiva não tem de se aplicar a toda a gente, cada coração é um coração)

Eu não sei se irei ser feliz no futuro, não sei se irei inspirar alguém ou ser mais confiante daqui a 10 anos, mas eu sou mais feliz do que era antes de ser violinista.

Eu sinto-me melhor hoje que ontem e se calhar não tão bem como amanhã, aprender música é um estilo de vida e não uma profissão por si só. Desde alongamentos a lesões, trabalho mental e cansaço faz tudo parte de uma maneira de viver, que tem a capacidade de fazer as pessoas que a implementam mudar internamente, olhar para medos e enfrentá-los, formas de pensar, refletir nelas e mudar ou não, desenvolver disciplina e criar espaços seguros onde lidar com emoções e explorar as coisinhas únicas de cada um.


Que eu gosto de chamar "prilimpimpins da Psique" :)


Obriga-nos a descansar e a comer bem se quisermos energia e foco, a uma socialização mais compassiva se quisermos bons ambientes em grupos de câmara, orquestra e naipes.


O foco é aprender sempre e partilhar conhecimento com quem quiser fazer mesmo, não desistir de quem está com dúvidas e ajudar aqueles que se questionam sobre se é isto que querem fazer.

Não podemos ajudar toda a gente a encontrar-se ou a descobrir-se, e fazê-lo não vem da crença de que nós sabemos o que é melhor para essa pessoa.
Se um empregado de mesa ou um político for um ex trompista, mas tiver ganho gosto por música com o tempo em que a estudou e agora a aprecie, o nosso trabalho como passagens na vida de alguém está feito.

Instigar a paixão que sentimos pela arte em momentos da vida de outras pessoas é bom o suficiente para criar boas memórias para alguém que irá ter de viver com elas e se refletirmos um pouco, como músicos, esse é o nosso trabalho, criar momentos para outras pessoas.


Talvez alguém na audiência tenha perdido um ente querido e aquela passagem menor e expressiva seja o momento em que uma memória da pessoa que perdeu venha ao de cima, talvez se lembre de momentos mundanos que a fizeram tornar-se uma pessoa amada.


Talvez aquelas frases que nos prendem a respiração lembrem a alguém da primeira vez que aprendeu a mergulhar com o seu pai ou uma passagem quente lembre à senhora de 78 anos na plateia, o verão de 93 a ver borboletas e a sentir o cheiro das flores.


Entusiasmo é contagiante e é importante para criar evolução e união.

 
 
 

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