Empatia

Apetece-me chorar, sem motivo nenhum, só porque é assim que me sinto.
Vêm-me pensamentos de pais que passam por dificuldades para criar os filhos, de pessoas que tentam manter a bondade e compostura quando na realidade estão a passar períodos complicados sobre os quais não falam.
Acordei com vontade de abraçar o mundo, às vezes acordo com vontade de ser uma figurante na história dos outros, de apenas observar enquanto faço a minha vida...
Às vezes sinto-me protagonista, mas hoje quero ser narradora, quero contar a história de pessoas que não conheço da forma mais gentil mas genuína possível, e se me for permitido, abraçá-las no final.
Desde pessoas que lidam com a perda de familiares, que estão longe da família, que pouco dinheiro têm no início do mês mas mesmo assim dão o seu melhor para oferecer uma vida confortável às pessoas de quem têm de tomar conta, eu vejo-vos.
Pessoas que mal têm tempo para a sua própria vida, mas continuam a trabalhar e a seguir em frente, pessoas que não se sentem boas o suficiente para ter alguém ou perderam a vontade de cá estar, mas ainda cá estam, pessoas que continuam a espalhar boa disposição quando não se sentem bem...
As que acordam antes das cidades e que se dedicam aos seus sonhos com tudo o que têm, as que dão o seu melhor para ser o melhor que podem... Eu vejo-vos.
Porque com isto em mente, quanto mais cresço mais amor eu vejo nas pessoas, mais bondade e partes doces... Mais fragilidade eu vejo, mesmo nas que se mostram como mais fortes, mesmo nas mais resilientes eu vejo momentos difíceis e corações que podiam ter sido cuidados com mais delicadeza.
O meu coração dói, não por mim, mas por situações de outrém.



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